Hoje o grande problema da PMI é lidar com o seu Supply Chain. Desenvolver uma cadeia de abastecimento efetiva não é uma tarefa fácil. Hoje consigo identificar alguns principais problemas nestas cadeias. O primeiro acredito estar na falta de alinhamento entre a empresa e os parceiros. Não existir um procedimento claro a respeito do que está acontecendo é o primeiro passo para o fracasso. Isso por si só direciona ao segundo grande problema: confusão. Quando um número elevado de elementos se encontram em um só processo, sem planejamento meticuloso, treinamento e comunicação, quase sempre um quadro caótico se forma.
Um terceiro complicador é como medir a qualidade de uma cadeia. É um pouco mais sútil, não é apenas olhar para o lucro. Olhar apenas para aspectos financeiros pode significar um sacrifício considerável em qualidade e pior, pode até mesmo destruir toda a cadeia. Um outro problema é lidar com as barreiras culturais entre diversas companhias e departamentos. Buscar um resultado na cadeia de abastecimento pode ser bastante delicado uma vez que um pequeno ato pode gerar repercussão em diversas etapas diferentes. Isso nós leva ao último ponto fraco, alguns elos da cadeia não podem ser modificados. Isso nós leva a uma exigência de total flexibilidade em diversos pontos para que esses imutáveis não sejam barreiras intransponíveis.
A maioria dos problemas podem ser evitados se ações preventivas forem tomadas. Quando uma Supply Chain espera o problema aparecer, é muito difícil lidar e as muitas vezes pode ser até irreversível. Em suma, é muito necessário gastar tempo, inteligência e esforço em manter uma cadeia eficiente. Pois agora, sabendo de antemão esses pontos, vamos dissertar a cerca do problema enfrentado pela PMI.
O grande diferencial é que a PMI não buscou uma solução de Supply Chain por livre arbítrio. Foi uma imposição de um orgão internacional. Isso muda um pouco o plano de ação. Objetivos óbvios tais como: redução de custo, melhora da qualidade e eficiência e facilitar a escalabilidade tornam-se secundários a um motivo maior, atender exigências legais.
A causa dessa imposição é uma falta de controle sobre sua mercadoria. A PMI é acusada de não combater com empenho suficiente cargas de cigarros falsificados. Um controle inteligente e mais efetivo de sua cadeia permitiria um trabalho muito mais fácil contra esse contrabando que assombra a industria de cigarros. A consequência é alta, hoje se a PMI não atender os requirimentos, vai pagar todas as taxas e impostos dos produtos falsificados. É um prejuízo inimaginável.
O problema a ser enfrentado foi diagnosticado de forma clara. Um controle rígido de seus produtos é mais do que suficiente para desmascarar estas redes de falsificação. O principal aspecto a ser revisto é o sistema de rastreamento da mercadoria. Isso hoje é feito num sistema precário, o código de barras deixou a muito tempo de ser um sistema efetivo para controle de mercadoria. Hoje a quantidade de informação é imensa, é necessário sem sombra de dúvidas um olhar mais clínico. Prova fatal da falta de capacidade da PMI hoje é que eles não tem controle para onde vai cada pacote. Existe uma vaga ideia, mas que se perde completamente no limbo quando se afasta um pouco mais dos braços da empresa. Gostaria de propor um desafio de me listarem por exemplo em tempo real qual posto de venda possui mais mercadoria encalhada. Um dado preciso não existe. Seria aproximado e desconsiderando o mercado menor.
O caminho das pedras já foi traçado. Tanto as etiquetas RFID como a tinta SICPA são tecnologias que permitem um controle muito mais eficiente. A primeira opção é hoje vista como futuro do código de barras. Uma etiqueta com um micro chip que emite ondas de rádio frequência pode ser lida a metros de distância e carrega uma quantidade de informação extremamente superior ao de um código de barras convencional. Enquanto que a tinta, ela é invisível a olho nu e também pode carregar um número de informação muito superior. Existem sim outras opções para o combate a essa falta de base sólida para se controlar a produção. Hoje até a possibilidade de uso de hologramas é estudada, porém é uma tecnologia que ainda não atingiu o nível de maturidade das outras e é muito menos viável.
Ambas as implementações apresentam problemas consideráveis, um custo alto a ser aplicado em equipamento e um pouco de dificuldade em adequar todo o processo vão ser com certeza barreiras a serem superadas. A minha aposta é no RFID que de longe é uma tecnologia mais bem fundamentada. Nomes de peso apostam e investem nela. Wall Mart despeja quantidades consideráveis de recursos todos os anos para tornar o RFID mais viável e confiável.
Sendo algo mais próximo de um eventual padrão a ser adotado pela industria, é um investimento mais certo a longo prazo, quando custos de uso com certeza cairão. Hoje o grande desafio é lidar com o alto investimento que iria existir, além de enfrentar um eventual aumento significativo no custo do produto final e de quebra enfrentar desafios de impedir uma queda de produção.
O maior interessado na implementação da solução é a União Europeia. Uma vez que ela que sofre para controlar a situação desgovernada que se encontra a proliferação de produtos falsificados e no dito mercado paralelo. Mas se a PMI quiser continuar competitiva e pronta para encarar desafios de logística por exemplo que devem começar a aparecer em breve, ela devia olhar com mais atenção para esse elo delicado do sistema de negócios dela.
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